Essas coisas, logo aí embaixo... Palavras ditadas por um Ghost Writer.

31 de mai de 2011

Pinguim

O pinguim da geladeira balança e a porta está entreaberta. Um engradado de latinhas (daquelas que não são as preferidas, mas fazem o mesmo efeito destas após alguns goles gelados). "Esperava te reencontrar, mas não esperava que fosse assim", ele considerou, ofegante.

Ela não o encarava - ambos olhavam na mesma direção, apesar das posições diferentes. Seguia com as mãos apoiadas, mas já sem a cerveja na mão. "Não tá gostando?", ela rebateu. Suspiros. As coisas nunca tinham chegado a esse ponto por receio dele - ter quase nada é melhor do que arriscar perder o pouco que se pode manter. Charme dela, que não faria o papel ativo d'uma relação uma vez mais - quebrar a cara sucessivas vezes diminui a sensibilidade, enfim.

Ele tenta não se entregar ao troféu da astúcia, não pecar pela afobação. Perder o controle seria perder a oportunidade. Ela se inclina um pouco mais, joga as mãos para trás - como se estivesse a procurar algo. Eles se aproximam (ainda) mais. Ele reclama o beliscão, mas elogia a nuca descerrada a sua frente - morderia se não lhe parecesse demasiado incisivo, brutal. Língua, saliva e lábios acabaram por saciar, afinal, o anseio oral.

Ela regozija-se, aumenta o ritmo da dança - pés quase (quase!) imóveis, todos os passos se dão acima dos joelhos. Algumas palavras soltas. Indizíveis, ininteligíveis. Onomatopéias(?). "Vamos continuar isso no quarto, hein?", ela sugere. Ele nunca lhe diria não. Talvez, por um viés tradicional-Século-XVIII, ela fosse o "Homem" da situação.
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2 comentários:

Amanda Porterolla disse...

Sempre ótimo, guri! Saudades de vc!!! Bjsss!!!

Enila Sagrav disse...

Caramba!...curti...muito bom...