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31 de mai. de 2011

Pinguim

O pinguim da geladeira balança e a porta está entreaberta. Um engradado de latinhas (daquelas que não são as preferidas, mas fazem o mesmo efeito destas após alguns goles gelados). "Esperava te reencontrar, mas não esperava que fosse assim", ele considerou, ofegante.

Ela não o encarava - ambos olhavam na mesma direção, apesar das posições diferentes. Seguia com as mãos apoiadas, mas já sem a cerveja na mão. "Não tá gostando?", ela rebateu. Suspiros. As coisas nunca tinham chegado a esse ponto por receio dele - ter quase nada é melhor do que arriscar perder o pouco que se pode manter. Charme dela, que não faria o papel ativo d'uma relação uma vez mais - quebrar a cara sucessivas vezes diminui a sensibilidade, enfim.

Ele tenta não se entregar ao troféu da astúcia, não pecar pela afobação. Perder o controle seria perder a oportunidade. Ela se inclina um pouco mais, joga as mãos para trás - como se estivesse a procurar algo. Eles se aproximam (ainda) mais. Ele reclama o beliscão, mas elogia a nuca descerrada a sua frente - morderia se não lhe parecesse demasiado incisivo, brutal. Língua, saliva e lábios acabaram por saciar, afinal, o anseio oral.

Ela regozija-se, aumenta o ritmo da dança - pés quase (quase!) imóveis, todos os passos se dão acima dos joelhos. Algumas palavras soltas. Indizíveis, ininteligíveis. Onomatopéias(?). "Vamos continuar isso no quarto, hein?", ela sugere. Ele nunca lhe diria não. Talvez, por um viés tradicional-Século-XVIII, ela fosse o "Homem" da situação.
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3 de jul. de 2010

Songs for the Deaf

Lançado em 2002 pela banda estadunidense – americanos somos todos, latinos ou anglo-saxões – Queens of the Stone Age, “Songs for the Deaf” mistura melodias intrincadas, compassos aparentemente descompassados e, acreditem, variações rítmicas bastante distintas para uma banda dita ‘pesada’, como valsas e ritmos mexicanos.

O disco do guitarrista Josh Homme (único membro fixo do QotSA) conta com muitas participações especiais. A principal delas, de Dave Grohl, baterista que alcançou o estrelato como integrante do Nirvana e consolidou-se como músico (ou nem tanto, comum acordo entre perfilado e escriba acerca do comentário) ao criar o Foo Fighters e participar de inúmeros outros projetos.

Canções para a surdez. A frase – tradução tosca do escriba aproveitador da liberdade poética – de interpretações dúbias, que não afirma nada categoricamente, é uma síntese certeira de Guilherme (e um tanto nebulosa, assim como ele).

O garoto gravataiense, filho de um porto-alegrense e uma moça vinda de Bagé, freqüenta este mundo de ‘sons mil’ há 20 anos. Ainda criança notou que algo de estranho ocorria em um de seus sentidos – a rubéola que a mãe teve durante a gravidez deixou uma ‘lembrança’. Ele buscou o veredicto materno. “Ela disse: vou falar no teu ouvido uma frase, se tu não entender, é porque não ouve.” A frase era “Quer ganhar um picolé?”. Guilherme não ganhou.

De nada adianta o ouvido esquerdo, fato que o faz se colocar sempre à esquerda das pessoas com quem conversa. Mas dizer ‘nada’ é exagero. Numa cidade onde os cidadãos reclamam da péssima relação custo-benefício do transporte coletivo, ele não sabe o que é pagar passagem de ônibus – exceto em linhas semi-executivas, nas quais transita raramente.

Taxativo, afirma: “Nas vezes em que preciso pagar para andar de ônibus pode saber, algo de errado ou estranho acontece.” (Frase confirmada pelo escriba, que acompanhou Guilherme em sua última viagem paga e, de forma incomum, esqueceu mochila com roupa, carteira, pen drives, caderneta, caneta e afins no interior do coletivo enquanto desembarcava na capital fazendo piadas sobre o amigo semi-surdo.)

Mas se engana quem pensa que a particularidade de Guilherme o atrapalhe no dia-a-dia, ou o destaque como luzes de Natal. Nos tempos de infância, algumas vezes, graças a professores que fazem questão de anunciar aos quatro cantos da sala de aula – ok, por boas intenções – coisas como “temos um coleguinha especial, vamos dar atenção a ele”. Crianças geralmente são mais cruéis com ‘pessoas especiais’, mesmo que involuntariamente, do que tolerantes.

Apesar disso, essa não é a razão pela qual ele ainda não completou o Ensino Médio, ‘trancado’ em 2009 e no qual repetiu de ano “três ou quatro vezes”. Para a amiga Bruna Junges, o fato comprova “a ineficiência do nosso ensino, que é incapaz de cativar seus alunos”. Mas o convívio social na Escola Tuiutí lhe rendeu outros dividendos. “Foi mais proveitoso fora da sala [de aula], bebi, conheci outras substâncias, muitas pessoas. Aprendi coisas novas.”

Uma colega foi preponderante na mudança do rapaz, antes um protótipo padrão de ‘metaleiro’. Camila foi sua namorada por cerca de um ano e lhe apresentou a arte e a música, como MPB e o rock dito ‘clássico’, de forma ampla – apesar dela mesma parecer uma metaleira-cuca-fechada.

Aí o (único) ouvido do Guilherme – que já recebia elogios por seus dotes no violão – se abriu para novidades. Hoje ele tem mais de 250 Gigabytes das mais variadas discografias. Queens of the Stone Age, Gnarls Barkley, Radiohead e Portishead dividem espaço com Novos Baianos, Lobão, Jorge Ben e Chico Buarque – talvez este último o ídolo máximo, uma briga ‘acorde a acorde’ com John Frusciante que, quase ninguém sabe, já teve menos de 20% de sangue no corpo na época subsequente a sua (primeira) saída do Red Hot Chilli Peppers, quando se afundava no vício em heroína.

Evasão escolar e Gigabytes de música têm uma ligação inusitada: trabalho. Guilherme deixou a escola em 2009 por não conciliar os horários de estudo com o emprego na Top Service, que presta serviços terceirizados a outras empresas, como a Dana, onde ele atua diariamente na estação de tratamento de efluentes – o que rende piadas exageradas sobre lixo tóxico aos amigos.

E os sons da surdez? Como guitarrista, há mais de cinco anos Guilherme tenta montar bandas. Todas acabaram, exceto a última. Junto a um talentoso guitarrista canhoto de referências tão ou mais amplas, criou um ‘embrião musical’ intitulado Beggar Twins, disposto a dar vazão a sons influenciados tanto pelas guitarras desconcertantes do já referido QotSA como ao mais denso trip-hop. No final de 2009 outro garoto sem garota se uniu à dupla, trazendo uma bateria, expansão e indefinição sobre o nome do grupo até hoje.

“O grande problema dele é gostar demais das referências. Isso atrapalha um pouco os ensaios. O Guilherme por vezes esquece o trabalho de criação, propriamente”, afirma o amigo canhoto, aluno de uma universidade do Vale dos Sinos e estagiário nas horas vagas. Guilherme é possessivo quanto aos colegas de banda e tem certo ciúme de seus projetos paralelos na área musical – como os shows de bandas independentes que o amigo organiza, motivo de tiradas irônicas do perfilado.

A banda sem nome é o grande projeto do momento. A partir do segundo semestre, Guilherme e os dois amigos e colegas de 'trabalho' pretendem se mudar – só de mala – para Porto Alegre. A Gravataí da infância não tem espaço (ou público suficiente) para a proposta musical do garoto que anda por aí com seu par de fones de ouvido, mesmo que escute somente um deles.

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OBS.: Esse perfil foi a última tarefa da disciplina de Redação Experimental em Revista, que eu cursei nesse semestre lá naquela Grande Instituição de Ensino 'Superior' do Vale dos Sinos. E uma homenagem a um amigo e 4º ou 5º guitarrista destro da minha predileção, hahaha - porque canhotos não entram em listas!
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9 de abr. de 2010

Ainda dá pra acreditar nesse tal de Roquenrou – On the Rocks #1



Lotação máxima. “Ninguém entra enquanto alguém não sair.” Garrafas (todas!) vazias bem antes do esperado. Gente louca cantando em uníssono.

Não, isso não foi mais uma festa “descolada” com DJs modernos na Capital da Província. Pasmem, mas esse foi o cenário de um SHOW com bandas de rock da região de Porto Alegre – o que, infelizmente, parece pouco comum ultimamente.

Talvez mais incomum ainda tenha sido a cidade que abrigou esse evento regozijante para os apreciadores de som alto AO VIVO. Cachoeirinha – aqui do lado de Porto Alegre. Hein? Como assim?!

Pois então. Essas são algumas considerações sobre a primeira edição da festa On the Rocks, que aconteceu no último sábado e teve as apresentações das bandas Frida (ex Frida Kahlo, da cidade) e Telecines (de Porto Alegre).

A iniciativa da festa veio para dar espaço (cada vez mais raro, aparentemente) às bandas que têm trabalhado (ficar em casa esperando “ser descoberto” não vale!) para divulgar seu som e reforçar o circuito rock da Grande Porto Alegre, que, mesmo ao lado Capital, tem uma lógica completamente diferente de público e espaços de divulgação. E, óbvio, dar rock a quem quer rock!

O bar Jack Rabbit abriu as portas por volta das 23 horas e, pouco depois da meia-noite, já estava abarrotado de gente. Com isso, o pessoal da Telecines tomou o palco para mostrar suas músicas recheadas de Big Muffs e influências “noventistas”.

Foi a último show da turnê de estréia (f#da-se o Acordo Ortográfico!) da banda, que desde fevereiro passou por Novo Hamburgo, Santa Maria (na última edição do Grito Rock), Carlos Barbosa e, claro, sua cidade natal. E o público se mostrou receptivo. Após as primeiras músicas alguns pulavam e dançavam (que já conhecia alguma das músicas disponibilizadas no Myspace da banda até arriscou cantarolar alguns refrões).

Menos de uma hora depois, a Frida iniciou uma apresentação que já começou com platéia ganha. Dona da casa, e há algum tempo sem aparecer ao vivo, foi recebida com entusiasmo pelo público, que cantou junto as letras do Sandro – vocalista e guitarrista do quarteto.

Pouco antes disso já havia fila na porta do bar. Gente querendo entrar, mas sem lugar pra ocupar. Dentro do pub, em torno de 200 pessoas cultuando esse tal Roquenrou de uma forma louca como não ocorria, dizem, desde os lendários shows de TNT e Cascavelettes na cidade, ainda na década de 80 (!).

A Frida fechou seu set com o “meio-blues” Professora Inês, cantado pela platéia que subiu no tablado e tomou os microfones – tem vídeo no Youtube pra conferir essa doidera.

O público também deu show. Lotou o bar, deu atenção às duas bandas e mostrou que, com organização e bandas legais, dá pra fazer uma festa rock que contemple tanto quem assiste como quem toca e produz.

Festeiros “profissionais”, gente que há muito não ia a shows e a gurizada “verde” fizeram da noite do último dia 6 uma data pra ser lembrada.

Como disse o Sandro, no #twitter (@pensandro), "ninguém era público, ninguém era artista. Todo mundo era tudo, todo mundo era um!".


E isso foi só o começo. Que venham mais edições da On the Rocks e iniciativas como essa por todas as plagas. Amém.
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6 de abr. de 2010

Aloha, 2010!

Meses - quase meio ano, Thiago!! - sem postar nada nessa joça! Mas agora tudo vai melhorar, daqui pra frente meu comportamento vai mudar (rima intencional)... Não espero que alguém (algum dos 5 leitores(as) deste moribundo blog) acredite nisso. Afinal, nem eu sei se acredito, hehehe! Se não é uma promessa, pelo menos é uma meta, postar pelo menos 3 (três!) coisas por mês.

Nesse tempo sem atualizar o CE algumas coisas aconteceram na vida deste escriba (não muitas, mas signficativas, creio):

Provavelmente meu QI diminuiu devido à falta de uso e exercício nos últimos 9 ou 10 meses;

Fui ver o Sonic Youth e o Stooges (isso eu avisei aqui?) e comecei a escrever sobre...

Virei um "produtor cultural" (vulgo rockeiro-vagabundo-organizador-de-shows-que-rendem-pouco-mas-divertem-infinitamente) e organizo, ao lado do grande (mas não muito alto, hehehe!) amigo Taiguara, a "@onthe_rocks" - festa que veio pra ser um reduto do rock AO VIVO na Região Metropolitana de Porto Alegre, em contraponto às crescentes festas de discotecagem na Capital;

E, contraditoriamente, passo a gostar cada vez MENOS dos passeios noturnos (e os malditos rituais juvenis de sociabilidade);

Não tenho mais estágio - PROCURO emprego/estágio/trabalho-escravo! (Em Comunicação ou não, fazeroquê?!);

Estou tocando, junto a uns colegas da #Unisinos, um projeto de Rádio megalomaníaco: traçar um panorama do rock independente em Porto Alegre e região...


... E provavelmente alguma outra coisa engraçada/interessante (ou nem tanto) que certamente devo ter esquecido. Ahhh! Fiz um Flickr, procura por "thiagoks" por lá.

Pra "comemorar" a volta, vou postar a resenha que fiz da primeira edição da On the Rocks, que teve como atrações as bandas Frida (preferia quando o nome era Frida Kahlo, mas tudo bem...) e TeleCines. Dêem uma olhada e comentem, por favor.
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8 de jul. de 2009

Sobre chinelos e amigos chinelos

Hoje é o dia. Thiago, companheiro, chinelão, gravataino (heheeheh) completa mais um ano de vida, de trago e de estágio (hehehhehe duplo). O cara é foda! Ideal para cervejas no bar do alemão, pra discussões midiaticas, e pra curtir um punk rock.

21 anos, é isso? Quase uma década a menos que eu. Barbaridade! Ou, como diz a frase genial do MSN dele "21 anos de péssima comunicação interpessoal". Bobagem, o teu texto tá cada vez melhor. E teu programa na rádio Unisinos, edição unica, foi um sucesso. Só perdeu pro velório do Michael.

Não esquenta Thiago, é um fato que já constatei: os inbecis herdarão a terra. Retardados em seus carros tunados, ouvindo funk e de cabelo arrepiado tem mais chance de se reproduzir do que pessoas como nós, que achamos toda essa merda ridícula. Mas é prefirivel ser um gênio incompreendido do que um idiota que todo mundo já sacou. ((((Viu só que frase genial?))))

Pelo jeito você não aparecerá na Unisinos hoje. Por isso, no sábado, tomarei um porre em sua homenagem (ia beber de qualquer forma, mas, enfim...). Tomarei um litro de vinho branco seco. E vodka. Talvez alguma cerveja. Pode ser até que eu faça uma lavagem estomacal em sua homenagem. Quem sabe, sou imprevisivel...

Amigos são como chinelos, quanto mais o tempo passa melhor ficam. Amigos chinelos são melhor ainda, quanto mais o tempo passa, mais desbotados e detonados ficam. Mas mais identificados com eles ficamos. (Perai, essa é uma analogia muito tosca. Mas não vou mudar agora. O título ficou muito legal)

As mulheres um recado: deêm pro cara! Amor, carinho, atenção, dinheiro, alimentação, cerveja e música. O resto que vier, aposto que ele não vai dispensar.

Um abraço, caro amigo.

Vamos marcar um trago um dia desses...
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16 de jun. de 2009

Roubo de audiência

Hoje vou ser breve. Vim até vocês pedir encarrecidamente que visitem o meu blog.

Fiquei um ano sem postar nada. Hoje coloquei dois novos contos. Minha meta é colocar pelo menos um por semana.

Leiam.
http://ederfz.wordpress.com/

Se gostarem voltem.
Muito obrigado pela atenção.

Eder Z

Blogueadeiro

8 de abr. de 2009

30, faz sentido?

Pra ler ouvindo No Surprises, do Radiohead


Os 30 estão chegando e os 20 foram uma merda. 30. Metade da vida. Sei que não passo dos 60. Muito açúcar, sal, gordura, televisão, coca-cola, a cadeira espremendo minha prostática enquanto escrevo no computador. A vida é uma cueca apertada que eu não vejo a hora de tirar. O cabelo já está ralo, a gordura da oleosidade da minha pele tapa os orifícios capilares e mata a raiz dos fios que por infelicidade do destino vieram a nascer no topo da minha cabeça. Fios brancos começam a aparecer na minha barba. È questão de pouco tempo até que cheguem no meu saco escrotal. Pentelhos brancos são o fim da picada.

Eu tive a chance de acabar com tudo isso. Aos 27. Como Kobain, como Hendrix. Mas o caso deles é diferente. Eles concluíram grandes obras antes de morrer. Até os 27 eu não tinha feito merda alguma. E até agora fiz menos ainda.

Vamos prosseguir pra ver no que dá, eu pensei. Agora a beira dos 30 vejo que não fiz merda nenhuma. Sem um livro escrito. No meio da faculdade e sem animo de chegar ao final. Estagiário (existe coisa mais patética do que um estagiário de 30 anos?). Ganhando uma ninharia. Sem namorada (eu sou o cara que o Cazuza cantava, sem pódio final e sem beijo de namorada). Com poucos amigos. Pensei que podeira fazer como o Hemingway, concluir uma grande obra e quando começar a sentir o gosto amargo da decadência ter a decência de espalhar os meus miolos aos quatro ventos. Mas e vale a pena esperar? Esperar mais uns 30 anos?

Os meus 30 chegam em um mês e meio. Sei exatamente tudo que farei no próximo mês. Dia por dia. Hora por hora. Minha vida é sempre a mesma merda. Meu melhor amigo também pensa em estourar os miolos. Devíamos achar amigos mais empolgados com a vida ou simplesmente seguir os instintos e duas balas resolveriam tudo?

Thiago disse que ia escrever sobre suicidas. Estou esperando. Talvez a sua defesa pelo direito de acabar com a própria vida me ajude a tomar uma decisão. Vi um texto dele muito interessante sobre como a hipocrisia tem condenado os suicidas a serem renegados pela sociedade, como covardes. Covarde sou eu pra nunca levar a sério meus instintos mais destrutivos. Por um lado isso ajudou a manter meu pescoço longe de forcas, mas também me manteve longe de grandes paixões. Me declarei poucas vezes, de forma canhestra e torta. Sempre as amei loucamente, mas nunca consegui expressar meus sentimentos. Por conseguinte elas nem bola me deram. A mulher que mais amei até hoje se esqueceu de mim em um mês e casou com meu amigo.

Venho me adaptando pra esperar sempre o pior das pessoas. Assim, quando elas são capazes de um ato bom, eu me surpreendo. Tenho me surpreendido bem pouco ultimamente.

Comecei com sonhos grandes, de tomar o mundo em minhas mãos. Depois desisti das conquistas monumentais e passei a me contentar com um sucesso mediano. Depois comecei a admirar a vida das pessoas comuns, que antes eu achava medíocre, e a ideia de lar, família, filhos, jantar com amigos num sábado a noite, passou a parecer com real felicidade. Mas não atinjo nem mesmo essas coisas que parecem simples.

Os 30 estão chegando e a vida ainda não faz muito sentido. Deus não existe e isto é claro para mim. Claro e confortador, pois sem Deus o mundo faz mais sentido do que com ele. Se você é bom, se você é mal, se sua mãe morreu, se você ajudou uma pessoa, se você matou alguem, tudo tem o mesmo peso no universo. 30, 60, 120, vivo, morto, feliz, infeliz, existe alguma diferença? Fazer 30 não faz o menor sentido. O mundo foi parido pelo caos, não por Deus. Até agora tenho resistido só por curiosidade, afinal o caos traz inconstância no universo e surpresas. Então porque minha vida é tão monótona? Os retardados herdarão a terra. Pedófilos morrem de velhos em asilos caros, fiéis despencam de onibús em despenhadeiros e morrem carbonizados. Adoro a incoerência humana, a minha incoerência, a incoerência do universo. Viva o caos! Me despeço de vocês aqui. E até uma próxima. Se houver próxima...

Tiago
30 é número, primo?
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3 de mar. de 2009

Damn Vodka With Fanta Uva

Ou como eu fui ao show da Damn Lazer Vampires e não estive lá

Vociferado por Pig Spirit, psicografado por Zuco

Tudo começou, por ironia, na mesa de um bar. Mais precisamente numa mesa do Xis do Alemão, defronte a Unisinos, quando convenci o sr. Thiago a gazear a aula de quinta(o dia da semana, não a qualidade da cadeira) para uma interação etílica. Depois da terceira ceva o Thiago comentou sobre sua intenção de ver um show da banda gravataiense Damn Lazer Vampires no sábado seguinte num barzinho em Cachoeirinha. Não era a primeira vez que ouvia o nobre colega comentando sobre a banda. Ele é um fã entusiasta do som que o pessoal faz. Um punk rock de qualidade com um visual vampiresco muito afudê, dizia ele. Estava curioso pra ver a performance da galera ao vivo, além de estar afim de mudar de ares(viver em Campo Bom está me matando). Por isso me auto-convidei pra participar da empreitada com ele. Thiago achou uma boa idéia (na mesa de um bar, regadas a cerveja, todas as idéias parecem boas), e combinei que se desse iria pra Gravataí no sábado.

Sábado, aniversário de 54 anos da gloriosa Sapiranga, onde trabalho como estagiário na Assessoria de Comunicação da Prefeitura. Intimado pra trabalhar (No sábado? Vocês tem noção?). Porém a convivência com os políticos está me tornando um negociador. Olha chefa, será que dá pra me incluir fora dessa? E não é que fui liberado! Mais não de graça. Foi somente graças ao meu trabalho na cobertura do Carnaval no domingo anterior(não desfilei, mas não saí da avenida). Vamos pra Gravataí, pois então.

Convidei o Tiago, meu primo, pra essa aventura. Munidos de quarenta reais no bolso(cada um) e um pacote de amendoim japonês salgado(meu grande vicio) partimos rumo ao desconhecido, digo, Gravataí. Saímos seis da tarde de CB. Uma hora de translado até são Leopoldo, mais uma hora até Gravataí, quando desembarcamos as oito e pouco naquilo que parecia ser o centro da cidade devido a configuração: um hipermercado, um posto de gasolina, uma praça, uma pizzaria e uma igreja nas imediações(já dá pra iniciar uma civilização por aqui, eu conclui). Liguei para que o Thiago viesse ao nosso encontro, antes de sermos assaltados ou estrupados(ainda antes de sair de casa minha mãe disse preocupada: não vai pra Gravataí, meu filho, aquilo é muito violento!).

Enquanto esperávamos fomos até o hiper nos preparar para a noite. Emborcamos reto no corredor de bebidas. Escolhi a vodka. Sempre escolho a vodka(tenho aprendido a falar russo também, mas isso eu conto em outra postagem). Já o Tiago queria um vinho e não estava afim de negociar. Não conseguimos chegar a um consenso e acabamos levando a vodka e o vinho. Além da Fanta Uva necessária pra deixar a vodka tragável. Fomos até a praça ali perto e esperamos a chegada do anfitrião.

Nove e pouco o Thiago chegou com sua camiseta de tiete do Dawn Lazers Vampires e fomos com ele até o banco pra sacar parte do seu suado dinheiro, que seria convertido posteriormente em cerveja(suor vira cerveja*, aguá vira vinho+, cada santo com seu milagre). No caminho ainda tivemos a oportunidade de nos depararmos com uma cena insólita: uma festa evangélica acontecendo dentro de uma funerária. Perfeitamente normal pra um grupo como o nosso que iria ver uma banda de vampiros dali a algumas horas. Mal saímos do banco já abrimos a vodka e preparamos nosso primeiro drink. O gosto doce da Fanta Uva escondia perfeitamente o ranço traiçoeiro do álcool. Fizemos uma longa caminhada até a casa do Thiago e já chegamos lá levemente calibrados. O cão do Thiago(eu preciso fazer essa reclamação) não gostou de mim. Não quero levantar uma falsa acusação, mas acredito que tenha sido por puro racismo por parte do pincher. Quando sai do banheiro da casa do Thiago ainda encontrei meu primo olhando apavorado para uma mancha de vinho no seu casaco. Olha só o que você fez, disse ele. O cara apronta o diabo na rua e diz pra mãe dele que sou eu o culpado, vai dizer que fui eu que derrubei o vinho também. È a vida, mas depois ele pagaria sua penitência e alcançaria a redenção.

Na parada encontramos a amiga de Thiago, a Tassi. Um morena, por volta dos seus vinte anos, estudante de biologia na Unisinos. Eis que surge um interresse romântico na trama do mocinho. Achei a moça bem interessante e até gostaria de te-la conhecido melhor, mas a essa altura o álcool já se embrenhara no meu organismo e começara seu trabalho nefasto. Talvez se parasse por ali, ou desse uma maneirada, seguiria melhor a noite e poderia investir minhas atenções na moça. Porém quando estou com uma garrafa de vodka na mão me peçam tudo, menos bom senso. Embarcamos no bus e seguimos rumo a Cachoeirinha.

Chegando as onze em Cachoeirinha encontramos mais um grupo de amigas do Thiago. O cara tem muitas amigas. Mais do que gostaria(não que ele não goste delas, mas é que algumas ele gostaria de passar da amizade para um outro nível de relacionamento, mas não entrarei em maiores detalhes – moças: qualquer dúvida em relação as intenções do rapaz, perguntem a ele). Minha língua já estava enrolando, seria um ótimo momento pra parar de beber. Mas ainda havia um litro da mistura mágica e eu simplesmente não conseguia parar. Ao chegar na frente do bar a duvida: o que fazer com a bebida?

Mocoziar o veneno foi a saída. Meu primo e eu levamos a garrafa até um murro e a escondemos numa folhagem pra pegarmos de volta na saída do show. Entramos no bar e nos deparamos com dois lances de escadas com uns cem degraus por lance(lembrem-se dessa escada, ela será importante no decorrer do relato). Chegando lá em cima, cada um marchou nos dez pila da entrada. Era um barzinho de uns vinte metros quadrados, com meia luz, bem pouco habitado, pelo que pude perceber. O lugar estava bem vazio. Bem mesmo. Uma duzia de gatos pingados andava pelas penumbras. As únicas mulheres pareciam ser aquelas que chegaram acompanhadas da gente. Fazer o que? Beber, eu disse. Como se meu figado já não estivesse trabalhando a toda. Ceva, pedi, só latinha, disse o camarada garçom. Dois e cinquenta a skol gelada. Tomei uma e disse: vou lá fora dar um teco na mistura e já volto. Peguei uma ficha pra poder retornar com o porteiro e desci as escadas. Degraus curtos, um corrimão de cimento salpicado, eu até persenti que aquilo ia dar merda. Fui lá dei uns goles homéricos e voltei. Mais uns minutos com o pessoal e desci novamente, fui até a folhagem e pensei(pensei só tecnicamente, que raciocinar de verdade eu não estava mais) vou levar isso até a entrada do bar e esconder atrás da porta. Grande idéia!(quando TODAS idéias parecerem boas você, com certeza, está BÊBADO!) Subi, desci, subi, desci. Isso era uma meia-noite, e já estava totalmente fora da casinha. Meu primo pediu que parasse de beber. Não ouvi e desci de novo. Cada vez andando mais rápido. Desafiando as probabilidades de dar merda. E desafiando a gravidade, que não estava mais do meu lado. Foi quando senti, descendo pela décima vez a escada, chegando no final do primeiro lance, que tinha errado o degrau. Control-alt-del, dá um pause, reseta, nada adiantou. Voei. E foi bom, por um segundo foi bom. Mas depois veio a parede, de encontro a minha cabeça, e cai. Devia saber que num enfrentamento entre o meu crânio e a parede eu sairia perdendo. Levantei não sei se sozinho ou com ajuda de alguém) e desci, tomei mais um gole de bebida, o resto da mistura. E era isso. Depois só me lembro das seis horas da manhã quando eu e os T(h)iagos estávamos na parada esperando um ônibus pra São Leopoldo. A essa hora minha consciência começou a voltar, devagar. O Thiago esperou junto da gente até o ônibus chegar, as oito da manhã, para só então pegar o seu ônibus pra Gravataí. Duas horas depois eu chegava em Campo Bom, as oito da manhã, e me atirava em minha cama.

Uma hora da tarde de domingo acordei, ainda bêbado. Levantei e fui tomar um banho gelado pra ver se o porre passava, pra só então poder curtir a boa e velha ressaca. Minha cabeça doía, por dentro e por fora. Até mesmo as gotas da água do chuveiro machucavam ao bater em meu couro cabeludo(não muito cabeludo). Comecei a fazer um levantamento de danos. Relatório de estragos: No topo da minha cabeça havia um caroço, que eu sabia ser da batida na parede. Na nuca, no lado esquerdo da base do meu crânio também havia um caroço de impacto. As extremidades dos meus dedos da mão esquerda estavam terrivelmente roxos, como se tivessem sido esmagadas. Também tinha muita dor nas costas, na altura da minha bacia, no lado esquerdo. Além de pequenos arranhões na mão direita e uma mancha roxa na perna direita, parte posterior da coxa. Além da batida no topo da minha cabeça não sabia dizer de onde vieram os outros hematomas. Era preciso remontar a noite e não tinha as peças do quebra-cabeças. Liguei para o Thiago, o de Gravataí. Perguntei se estava tudo bem, se tinha aprontado muito(se EU tinha aprontado muito). Não, tranquilo, disse ele. Não acreditei, devia ter feito muito fiasco na noite anterior. Peguei meu guarda-chuva e sai mancando naquela tarde mormacenta de domingo até a casa de meu primo Tiago.

Ele tinha a outra parte da história, aquela que eu não me lembrava. E contou. Logo que desci as escadas os dois ouviram o barulho de minha queda e imaginaram que podia ter sido eu voando escada abaixo(me lembrei agora da cena final do Exorcista, logo eu que sou ateu, e não quero morrer igual a um padre lutando com o demônio). Me encontraram semi-consciente(por causa da bebida, por causa da batida, por causa da formação escolar numa instituição pública) e me rebocaram para o banheiro no segundo andar. È bom lembrar que eu ainda conservava a capacidade de andar, o que possibilitou minha remoção. (Para aqueles que não me conhecem é bom saberem que pertenço ao grupo dos grandes mamíferos, tenho 120 quilos e se eu cair num lugar e decidir não cooperar só um guincho pra me remover).

Chegando no banheiro os dois tentaram técnicas avançadas de ressuscitamento desenvolvidas pelo MIT(Massachusetts Institute of Tecnology) arremessando água fria na minha cara. O que explica o penteado, ou a falta dele, que eu apresentava quando cheguei em casa. Depois de me colocarem mais ou menos lúcido, os T(h)iagos me removeram até a parte de baixo do bar. Decidi não perguntar mais nada ao Tiago sobre o que fizera na noite anterior. A degradação só tem graça quando vem de pessoa alheia. Não sei ainda tudo o que aconteceu aquela noite. Nem sei se quero saber.

Resumindo: não sei se vi o show da Damn Lazer Vampires. Os caras se vestem de vampiro, tocam punk rock podreira(no bom sentido) e mesmo assim não consigo me lembrar se vi ou não o show deles naquele sábado a noite. Sei que vou voltar a beber, mas espero não chegar a tal ponto novamente. Agora ainda é fácil fazer essa afirmação, pois meus dedos da mão esquerda doem enquanto digito esse texto. Fora a minha cabeça que ainda está latejando(não descarto uma tomografia do crânio nos próximos dias). Acredito que muita coisa em nossas vidas esteja fora de nossas mãos decidir, mas pelo menos espero poder ter algum controle sobre meus atos. E a bebida não me dá essa possibilidade. Pretendo não ter mais que depender de terceiros para dizer o que eu fiz na noite anterior.

Peço desculpas aos T(h)iagos que aguentaram as pontas enquanto eu entrava em orbita. Ao primo Tiago por ter de me pajear ao invés de chegar na linda morena amiga do Thiago na qual ficou interessado. Ao colega Thiago, por ter sido um lorde Inglês ciceroneando um Irlandês maluco de 120 quilos e seu primo gente fina saído direto da renascença. E até mesmo a Tassi (devo ter causado uma má impressão tremenda com a guria) a quem gostaria de ter conhecido melhor, mas acabei estragando tudo.

Emfim, não sei se cumprirei essa meta. Já tinha prometido que não beberia mais tanto desde aquela vez quandoeu e meus amigos fomos parar na delegacia e eu fraturei a mão(Uma história pra outro post). Um dia espero alcançar a redenção, mas só depois de chafurdar mais um pouco no lodo da existência. Só espero não quebrar o pescoço no caminho. Enfim, é a vida. E a Vodka com Fanta Uva.


Comentários escritos, nem sempre lidos ou comentados

Semana passada recebi um ofício pelo correio no qual o nobre colega Thiago me convidava com toda a pompa e cerimonia pra participar de seu blog, Comentários escritas. Na verdade o convite foi feito numa mesa de bar regado a muita ceva e a uma distância segura das aulas de jornalismo que transcorrem mesmo quando não comparecemos para assisti-las. O Thiago é um grande amigo com quem sempre se pode contar. 1, 2, 3, 4. Entendeu a piada? Contar. Esquece!

Esse é meu primeiro post. E acho que será um dos mais curtos que vocês vão ver por aqui. Estou sempre tentando exercitar meu poder de síntese. Mas nem sempre consigo. Tentarei.

Meu nome é Eder. 120 quilos e subindo. Cem anos de solidão. Clube da Luta. Azul. Firefox. Baixinhas. Skol. Vira-latas. Loiras. Morenas. Sopa. As que derem sopa. Negras. Preto(cor, não pego homem).29 anos. Ateu, graças a Deus. Solteiro. Jornalismo. Estágio. Miséria. Homer. Rubem Fonseca. O Cheiro do Ralo. Heminguay. Tiro na cabeça. Meu codinome é Zuco.

“O Thiago é um homem da palavra”, disse o professor que não conheço quando encontrou eu e o Thiago bebendo no bar. Foi um ótimo alógio. Fiquei com inveja do cara. Na verdade eu tento dominar meu lado mal, mas não consigo. Saiba, Thiago, que sofro da síndrome de Caim, e um dia ainda posso rachar seu crânio com uma pedra. Hehehehe. Nunca se sabe...

Eu, por minha vez, não escrevo, psicografo. Recebo os textos de um espirito de outro nível de experiencia existencial. Acho que não de um nível mais elevado. Provavelmente de um nível inferior de existência. Já disse a ele pra parar de ditar suas experiências, que não acredito nessa merda de espiritismo. Mesmo assim ele só me deixa em paz quando digito os textos para ele. O nome dele é Pig Spirit. E, antes que me esqueça, quero mais que ele não ache a luz nunca, esse chato de carteirinha.

Meu próximo post será enorme. Se a história vai valer a pena, só lendo pra saber. Os ranhentinhos que estão acostumados a entrar na internet só pra ler um ou dois parágrafos vão abandonar o texto. Vou obrigar meu amigos a lerem meus posts, ameaçando não falar mais com eles. Se não lerem mesmo assim é porque meus textos são muito ruins. Ou meu papo é muito ruim. Ou as duas coisas. Pensando melhor acho que não devo ameaçar aqueles que se arriscam a ser meus amigos.

Para meu próximo texto peço que ouçam a música do Wander Wildner, Quase um alcoolatria. Dito isso, até!

24 de fev. de 2009

Papos pro ar[-condicionado]:

Conversa no trabalho. Elaborando portfólio, essas coisas [estagiário precavido e ciente do término do seu contrato vale por 10 - eu disse DEZ!! - "efetivos"]:
- Thiago, teu blog é bom, coloca o endereço no portfólio.
- Meu blog??!
- É, guri. Tu sabe que o teu blog é bom...
- Tá, eu sei. Eu sou megalomaniáco, é claro que acho meu blog ótimo!
- Então?
- É que eu coloco muito "as tripas [SANGUE escorre do cantinho da boca nesse momento, hehehe]" nele. Não dá certo misturar isso com o trabalho, hahaha... Imagina só o que alguém que vai me contratar pode pensar se ver o blog! Serviria se eu fosse tentar trabalho na Rolling Stone, mas pra assessoria não dá, hahaha...
Eu deveria estar de férias. Quem sabe numa praia paradisíaca, tomando drinks doces e vendo moças bonitas e biquinis sumários. Mas tava no trabalho. Tudo por um portfólio, hehehe...

E a Rolling Stone que me aguarde. Quero minha vaga de "discípulo de H. Thompson" na publicação. Ou eu domino o mundo antes. Jornalismo é só um detalhe. E eu tou me lixando pra esse detalhe, o que eu queria mesmo era ser rockstar, hahahaha!! Jornalismo é só um passatempo no qual eu engano bem. Melhor do que muita gente que leva a piada à sério...
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Mas a propósito, que "cês" acham da minha afirmação [no relato, ou nos outros que permeiam o texto, vá lá...]?!
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7 de nov. de 2008

A Musa e o Despretensioso Perseguidor [parte 3 de 3]

... Ultrapasso alguns transeuntes [ótima palavra. Sempre pega algum desavisado de sobressalto. “Como se lê, professora? tran-ze-ún-tes ou tran-seun-tes...”]. Adoro brincar disso em meio a multidão, desviando, como uma nave espacial tentando sair de uma tempestade de meteoros... Uma dança de culto ao caos, em meio à desordem do povo, desviando dos caminhos gananciosos por espaço na calçada, na rua, por tudo. Direita, esquerda, mais pra esquerda, puxa a mochila pra não bater em ninguém, gira o corpo, sempre andando.

Sem parar.

Nesse ritmo, chego perto Dela, em alguns passos. Mãos segurando as alças da mochila. Crianças andam dessa forma, se bem me lembro. Andando apressado e, já que Ela está logo a frente mesmo, observando a moça bonita. Mas claro, como estagiário atrasado, não tenho o tempo todo pra contemplar a beleza feminina pelas ruas...

E já que não era muito ligeira nos seus passos, sim, eu a ultrapassaria, pra seguir meu caminho. Eis que ela percebe um sujeito andando rapidamente, vindo pelo seu lado esquerdo. Lado da bolsa, que é apertada junto ao corpo, debaixo do braço. Ela olha pra trás e apressa o passo.

Tomou um susto.

Pois é, não tenho o rostinho do Gianechinni, nem do galã-loiro-da-vez da Novela das Oito [que começas às Nove!], muito menos desses outros atores de sorriso exemplar e cabelinho meticulosamente [des]ajeitado. Tô mais pra jardineiro [ou motorista] de novela, ou favelado de matéria de telejornal, sobre criminalidade. Afinal, pretinho como Eu só aparece desse jeito, a não ser o Lázaro Ramos, mas aí a história é outra. E o tempo, curto demais pras [repentinas] políticas de compensação histórica das emissoras de TeVê.

E é por isso que agradeço diariamente por morar neste belo pedaço de continente chamado “Brazil”. Um lugar que não é assolado por terremotos, maremotos, vulcões ou outras catástrofes naturais titânicas....

Um lugar marcado pela mistura de etnias, credos, pensamentos e culturas e que, mesmo assim, vive em paz, ao contrário do Oriente Médio, por exemplo, só pra citar um clichê[-chicletudo].

Um lugar onde todas as pessoas são simples, sinceras, generosas, humildes e mais uma infinidade de adjetivos positivos... Por fim, um recanto onde não existe preconceito entre as pessoas, de forma alguma...

Mas será mesmo?!
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OBS.: É bom avisar que, em tempos de Barack Obama eleito "presidente do mundo", eu já tenho essa histórinha escrita há mais de seis meses. Tinha outra observação [provavelmente alguma idéia de uma mente melancólica e descrente, fazer o quê...], mas esqueci. Pena [ou sorte, vá saber!].
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31 de out. de 2008

A Musa e o despretensioso Perseguidor [parte 2 de 3]

... Mas sim, nós três não estávamos sozinhos naquela rua. Haviam as pessoas esperando seus ônibus, os intermunicipais que levam à capital da província, todos os dias, milhares, milhões de provincianos. Naquela rua, exatamente, ficam à espera de ônibus [quem sabe à espera de milagres também, vá saber...] as pessoas que vão para Guaíba. A cidade quem tem o nome do rio. Que não [NÃO!!] é rio! Mas tudo bem, no fundo isso não importa muito pra ninguém, de qualquer forma.

E Ela andava pela calçada, entre os “guaibenses” [nem sei se esse é o adjetivo correto para os moradores de Guaíba, mas me fiz entender, creio. E claro, nem todos que esperavam a condução por ali deviam ser de Guaíba, mas a grande maioria deve ser, como a grande maioria das pessoas que esperam os ônibus de Gravataí – e esses eu conheço bem! – são gravataienses!] e os ônibus estacionados. Ahhh, claro, tinham também os vendedores. De balas, refrigerante, rapadura, amendoim, salgadinhos diversos, quinquilharias baratas. Todos na busca do sustento, diariamente.

“Vai uma aguinha aí, tio?”.

Eu também estava andando naquela calçada. Com meus All Stars surrados [sujos e furados], desviava de qualquer resquício de substância liquida vista [vistosa? Viscosa?! Visconde de Sabugosa! Rimas...] no chão. Em lugares como esse, essas marcas são sempre de origem duvidosa. Na verdade, muitas vezes, o aroma vindo dessas “marcas” atesta sua procedência. É só prestar atenção. Abrir o nariz para os odores da cidade. Não me dou tal luxo, sinusite, asma, bronquite e rinite me impedem.

Bom senso também.

Controlo meu passo. Não tentando alcançá-la [pelo menos não conscientemente!], nem por nada muito óbvio. Simplesmente porque caminho de forma atrapalhada, principalmente em meio a pessoas [se noto alguém ME OLHANDO o problema piora!!]. Sou um grande desajeitado, na realidade. Por isso, policio minha caminhada, tentando corrigir meus passos desajustados. Tento me distrair, pensar em outra coisa que me faça esquecer do meu andar desajeitado.

E aí volto a prestar atenção. Nela.
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OBS.: Tem gente lendo isso aqui? A história tá legal, interessante, qualquer coisa?! Aceito opiniões [apesar de ser totalitário o suficiente pra não dar o braço a torcer, hahaha!], é pra isso que posto nessa bagaça!
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27 de out. de 2008

A Musa e o despretensioso Perseguidor [parte 1 de 3]

Eu observava-A fervorosamente [... que eu lembre]. Caminhava de forma apressada, mas sem perdê-la de vista. Eu, um estagiário atrasado. Sempre atrasado, correndo apressadamente pelas ruas da capital da província onde moro. Uma “província provinciana”, que cada vez mais se mostra diminuta frente aos avanços do pensamento, e dos títulos e feitos alardeados como marcas de orgulho deste chão. Ou, quem sabe toda essa análise seja fruto do rancor de um jovem revoltado e insatisfeito a quem esta sociedade provinciana deva tantas coisas... Um jovem que encontrou eco ao seus anseios num “Cobrador”, num livro perdido entre marmitas, pilhas alcalinas e textos desinteressantes.

Culpa de um tal Rubem Fonseca, ao que parece...

Como dito antes, eu caminhava de forma apressada. A Minha Pressa [só existe pra aplacar os efeitos da minha preguiça, conseqüentemente causada pelo meu desapego aos objetivos que a sociedade impõe...] que, naquela mesma manhã, já tinha feito com quê – por pouco! – não acabasse me jogando na frente de um motociclista [no momento em que este dava partida em sua moto...]. Ela, a pressa, guiava meus passos, me levando ao meu trabalho, num começo de tarde quente e irritante.

E Ela, com suas formas curvilíneas & harmoniosas, chamava a atenção dos meus olhos. Mesmo contra minha vontade. Uma blusa branca e uma calça jeans acompanhavam-A naquele dia quente. Seus cabelos chegavam quase até a cintura, negros e lisos. Rá, e como eu gosto de cabelos assim, negros e lisos... Andava de forma graciosa, deslizante, eu diria. Cuidadosa, como a grande maioria das pessoas ao andar nas ruas de um grande centro urbano, não perdia a atenção sobre a bolsa, levada a tiracolo.

Aí estão postos os atores principais desta singela história: Eu, Ela, e a Minha Pressa.
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*OBS.: Quando eu achar conveniente posto a segunda parte desta histórinha, hohohoho! Acessem, leiam e comentem, assim vocês verão mais rapidamente o desfecho.
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24 de out. de 2007

Bom, sabe "comequié"...

Aí vai um conto escrito na aula de "Redação para rádio", naquela "Grande Instituição de Ensino do Vale dos Sinos" que freqüento de quatro à cinco vezes por semana. Como a "base" para o dito conto era[m] uma[s] pessoa[s] da sala de aula, tive de "entortar" a história, pra manter seu cunho subliminar!! Detalhe: Ao postar, reli e dei uma levíssima recauchutada em algumas partes... Tenho em mente terminar a "versão original" e depois comparar com esta aí, que eu acho que está "bemboa".

Ele foi gerado a partir de uma idéia para um texto pessoal, aqui pro blog, mesmo. Como eu tinha que fazer um conto para a aula, e tinha este "esboço", utilizei-o em benefício do meu período de "ócio criativo" em sala de aula!! Rá! Aí está ele, colocado sem depuração dos "termos técnicos". OU SEJA... Ele está aí no mesmo formato como vai para uma lauda de rádio. Notem as peculiaridades...

Nem tudo aí escrito é MENTIRA!! Hahahahahahaha...

Conto inacabado – faltas e sobras e faltas./ !E sobras!/

Em mim falta, e sempre faltou, cara-de-pau./ Nela, sobra um namorado./ Ela é mais velha, vinte e um anos de vida nesse mundo de deus, se não me engano./ Mora com os pais numa belíssima casa que eu nunca vi, numa cidade que eu freqüento diariamente./ !É sempre assim, mas não é por um gosto sórdido, não pense mal de mim! Notou a rima?!/ Não, não foi intencional./

Elas sempre têm namorados sobrando./ !Ou namoradas, vá saber!/ Arrisco dizer que uma delas, certa vez, tinha até noivo, marido, ou algum outro tipo de parceiro estável e acomodado./ E eu sempre tenho qualquer tipo de estima faltando./ ?!Por que eu, justo um desajustado como eu, vou agradar alguém?!/ Não é lógico, não é racional, é totalmente improvável./ E eu creio muito pouco em coisa improváveis./

Sempre são mais velhas./ É uma sina, não é uma escolha./ Eu sempre me pergunto “?!e por que não as gurias da minha idade?!”./ Mas eu não sei./ Só sei que eu sigo a onda, e ela vem assim./ Na verdade eu nem sei se isso realmente importa alguma coisa./ Jovens ou experientes, sempre existe algo pra atrapalhar./ Provavelmente essa história de diferença de idade seja uma desculpa esfarrapada gerada pelo meu inconsciente./ ?! Mas será inconsciente mesmo?!/

Me falta um psicanalista./ Mas me sobram papel, caneta, teclado, mouse, monitor./ E editor de texto.../ Aquela coisa vulgarmente conhecida como Word!/ Tudo bem, WORD é marca e não um substantivo simples, mas por acaso alguém chama o achocolatado de achocolatado ao invés de NESCAU?!/ Ela tem amigas./ Com certeza não desconfiam de nada./ !Pelo menos é o que eu acho!/ Eu realmente não entendo. Essas meninas, que eu considero legais, com namorados amedrontando a minha imaginação – !Vai saber se algum deles, num dia qualquer, descobre meus pensamentos! – são a praga do meu mundo, tão doido e avoado./

É certo./ Se rola uma conversa legal com alguma guria, pode saber.../ No outro dia ela me fala despretensiosamente sobre o namorado, e blá blá blá./

Com ela também foi assim./ A gente começou a conversar, despretensiosamente, falando algumas coisas idiotas./ Algo normal entre pessoas que não tem qualquer vínculo mas que começam, num dia qualquer, a conviver numa mesma parte do espaço-tempo./

Parece uma regra./ ?!Ela é legal?!/ ?!Fala algo interessante?!/ Pois contente-se em saber isso, ela não é pro seu bico!/ Se a juventude veio pra me provar algo, com certeza foi isso./

Ah, é, não expliquei onde nos conhecemos./ Pois bem.../ Não trabalhamos juntos, mas perto./ Uma distância suficiente para eu vê-la quase todos os dias, durante o expediente todo./ Como eu já contei, a gente começou a conversar por pura casualidade./ Só que, aos poucos, eu via que combinávamos em muitas coisas./ !Muito, muito mais importante do que isso!/ Depois de uma fase de envolvimento superficial, baseado simplesmente no trabalho, tínhamos um diálogo livre e direto, sem amarras ou farsas./ Nossos contatos fluíam de forma natural, assustadoramente simples, algo que eu sempre prezei nos contatos com pessoas em geral mas, principalmente com meninas./

Hoje eu estava muito irritado./ !Comigo!/ Pensei em chegar e gritar tudo que atormenta minha cabeça todos os dias./ Tipo o IGGY POP cantando, um esporro./ Raiva, amor e medo em relação à vida./ Tudo junto, na voz berrada, nos trejeitos malucos./ Na urgência PUNK de fazer algo e não se importar com os efeitos./ Como vomitar as tripas depois de um porre gigante, pra se sentir um pouco melhor./ !Mas só um pouco!/

E eu cheguei, abri a porta, disse oi pra ela./ Começou mais um dia, mas hoje algo mudou./ Eu “tô a fim” de ver o mundo explodir, e nem ligo pras conseqüências. Tô a fim de jogar tudo por cima do lugar onde ela se posta./ Tipo quando a pessoa joga fora, !raivosamente!, alguma coisa que lhe traz sentimentos controversos e difíceis./ Vamos ver no que dá...//

Tenho tido consistentes lampejos de idéias... Agradeçam aos contos do Rubem Fonseca!!

16 de fev. de 2007

Enquanto o ano não começa de verdade (capítulo 2, versículo 1)!!

Bom, para os 3 (trêêêêêsss!) leitores que frequentam essa BAGAÇA, esperando uma atualização decente eu já digo: FODA-SE!!! É férias, ninguém consegue (e nem se esforça para) raciocinar logicamente e escrever um texto!! Afinal, férias é a época do ano em que as pessoas descansam e fazem coisas diferentes do habitual... Pessoas que tem uma VIDA até praticam atividades alegres, divertidas e saudáveis nesses meses, e tal... Eu simplesmente continuo na minha resignação, vou sobrevivendo, fazendo NADA, ou vivendo no TÉDIO, como preferir chamar (são tempos "em branco", em que nada significante acontece, nem para o bem, nem para o mal)!!

Mas como eu não tô fazendo nada importante aqui na frente do computador (só vendo sites que não ajudam no meu crescimento espiritual!!), e por que eu sou um cara "LEGAL pra caralho", vou contar o que acontece atualmente com os mega-astros-superstars-motherfuckers criadores dos C.E. (marca registrada em 666 países... Nem te fresqueia a copiar)!!

Se VOCÊ ("...você, e TODOS vocês!! A praga do dia será...") não sabe, essas três pessoas iluminadas pelo Dom divino tem vidas bem-sucedidas e que interferem DECISIVAMENTE nos rumos da humanidade (...6 Bilhões e meio de parasitas... Essa tal humanidade!), atingindo diretamente a SUA vida (numa "via expressa direto até o seu crânio", uáhahaahahahaha)!!

Bom, pra começar, Mano Eduardo da quebrada está envolvido com o Windows Vista (a pouco tempo lançado por aqui!)... Ele é o master-consultor-fodão da Microsoft no Brasil e está gerenciando toda a operação estratégica de mercado desse novo sistema operacional aqui, na terra da caipirinha, do samba e do CARNAVAL!!!!

Numa animada partida de biriba com o seu "parceiro" e "mano de fé" Bill Gates (Little Bill, para íntimos!) numa praia do RS, mano Dudu (como é conhecido nas quebradas de Gravataí, onde "goza" de credibilidade nas ruas!!) soube que é o indicado direto para a sucessão do "tio Bill" no controle da mega-empresa do ramo monopólio-informático (esse último termo eu INVENTEI AGORA!!)... Azar o deles, eu uso Mozilla Firefox, tenho cópia pirata do Windows e não jogo Xbox!! É a vida...

Já Dom Rodriggu's está envolvido em seus mega-hiper-fodas (duplo sentido nessa última palavra! Entenda nas próximas linhas!) projetos cinematográficos!!

Fontes fidedignas (seja lá o que quer dizer essa palavra!!) dão conta de que Rodriggu's estaria negociando para assumir a direção de uma grande produção do ramo dos "filmes educativos"... Falando nisso, a renomada e premiada "marca" (ou será Grife? Selo? Estúdio? Seja lá o que for...) de filmes educativos "Buttman" esteve em Porto Alegre recentemente gravando mais uma de suas películas (contando com um show da banda porto-alegrense Baby Doll de "bônus track")! Será que aí teve negociação??!

Outras fontes dizem que Dom Rodriggu's estaria prestes a lançar um filme totalmente experimental, calcado (que palavra "bunita", hein??!) nas idéias do cinema de terror japonês (hahaahaha! Piadinha interna!!) e no cinema de vanguarda austro-húngaro-polonês-uzbequistanês do começo do século XX!!

Bom, quanto a mim, tenho que dizer que "menti" no 1º parágrafo... Claro que minha vida NÃO é um TÉDIO SEM FIM! Eu sou guitarrista-baixista-backing vocal em 317 diferentes bandas (virtuais!) de rock, indo desde o rock 'alternativo' influenciado pelo Sonic Youth, passando pelo Stoner de bandas como Kyuss e QotSA, chegando até a influências do Hard-Core de protesto etc e tal (tipo Dead Kennedys, "tá ligado"??)...

Sendo assim eu estou excursionando com minhas 442 bandas pelo Brasil e pelo mundo, vivendo todos aqueles clichês apaixonantes do rock (tipo, Sex, Drug's and Rock n' Roll... algum protesto e muita raiva...), fazendo solos com a ESCALA PENTATÔNICA DE BLUES (a ÚNICA que eu sei!), tocando com instrumentos afinados em tons GRAAAAAAAAVEEEES, conhecendo pessoas e tal!

Numa Era que terá início brevemente, eu lançarei ao mundo o que realmente importa, as duas fusões mais fodonas do rock: o Stoner-Blues e o Punk-Blues (sim por que, apesar de eu conhecer pouco, o Blues me influencia MUITO!)

Então, se você quer a "Luz da verdade absoluta", transmitida por este blog, espere pela vovózinha, pelo fim das férias ou pelo CHINESE DEMOCRACY (quem entender essa última "tirada humorística" ganha um prêmio!! Não que valha muito, mas pelo menos um lenço USADO tu ganha, com certeza!)...

E não esqueça... Tem CD novo do Queens of the Stone Age esse ano, e ao que tudo indica se chamará "Era Vulgaris"... A esperança morre junto com você!! Se você não morreu, procura direitinho que ela deve estar perdida no meio da bagunça!

"Os nomes dos personagens são fictícios, qualquer semelhança com pessoas e/ou historias reais é mera coincidência!"

9 de dez. de 2006

Série: Literatura Chinelona


Surpresas e Cervejas
(leia calmamente, de preferência esqueça que é um trabalho de graduação!)

A proposta para esse texto é transformá-lo numa narrativa não-linear. Pois bem, eu pretendo ir um pouco além (não muito!), usando esse recurso não só para complementar informações sobre os personagens do texto. Isso já foi muito usado, por isso vou tentar (eu disse tentar!) fazer algo diferente, vou inserir nessa narrativa algo que acho muito importante para sua compreensão: meus comentários!

*Mais uma semana da minha vida sem rumo certo chegava ao fim. Era sexta-feira e, no centro de Porto Alegre fui beber com alguns colegas de trabalho. Depois de “encher a cara”, fui a pé e frustrado para casa, pois mais uma noite eu iria dormir sozinho. Sempre ouvi da minha mãe que eu era um cara bonito e inteligente, mas acho que meus atributos não estavam fazendo sucesso com as mulheres. Realmente, opinião de mãe não vale, hahahahaha...

A mãe do personagem principal (se ele não tem nome, então NÃO tente inventar um!) vivia longe da capital gaúcha, e pensava que o filho era um rapaz bem-sucedido. A mãe sempre cobrou isso dele. O rapaz por sua vez nunca ligou muito pra esse tipo de coisa. Na verdade nem ele sabia em que “se ligava”.

*Vagando por volta de duas horas da madrugada em uma rua escura, próxima à Avenida Farrapos, me deparo com duas lindas mulheres, altas e de “formas avantajadas”, com traços fortes e expressão sensual. Não acreditei quando elas me abordaram. Se eu achava impossível uma mulher ter interesse por alguém no estado em que eu estava, imagine duas então!

Não que meus comentários sejam excelentes, proveitosos ou algo do tipo, mas me parece interessante o fato do autor compartilhar com o leitor suas impressões, o que fez com que aquele texto fosse concebido!

Além disso, colocarei no decorrer do texto as “tradicionais” informações complementares sobre a vida dos personagens, e escolherei palavras (sublinhadas) aleatoriamente nos parágrafos e trarei maiores informações sobre as mesmas para o texto.

*Quando elas se aproximaram de mim senti muita atração por elas, tal qual político por dinheiro público! Senti muito desejo e me envolvi na situação. Tive vontade de simplesmente seguir os meus instintos como uma animal. Os efeitos do álcool só colaboraram para isso. Já imaginava que o final da noite seria bem melhor do que eu estava esperando!

O nome álcool vem do árabe al-kohul. Os álcoois são substâncias orgânicas oxigenadas caracterizadas pela presença na molécula do grupo hidroxila (—OH) ligado a um carbono saturado (que só faz ligações simples). Bebida alcoólica é toda a bebida que contenha álcool etílico ou etanol (não confundir com metanol que é altamente tóxico)!

Antes de terminar o texto a professora recomendou (quando eu lhe expliquei minha idéia) o livro “Se um viajante numa noite de inverno”, de Ítalo Calvino, pois ele usava nesse livro uma idéia semelhante à minha.

Apesar do medo (de que a leitura influenciasse meu texto, fazendo com que perdesse originalidade) fui movido pela “curiosidade mórbida”, e peguei o livro na biblioteca. E aconteceu o que eu temia! Meu texto (esse aqui mesmo!) foi influenciado pela leitura!

*Eu já estava ficando “animado” quando comecei a notar rostos de feições estranhas para mulheres, e resquícios de bigodes. Mas o que me surpreendeu foi uma protuberância na parte frontal da calça das “duas”. Foi aí que praguejei por ter bebido tanto naquela noite.

Bigode é o conjunto de pêlos faciais humanos, localizados entre o nariz e o lábio superior. Traço comum a ser preservado por alguns homens junto ou não de uma barba, mas também ocorre em mulheres que, em sua maioria, optam por raspá-lo. Pode dizer-se que o bigode é um traço facial que tende a identificar culturas geograficamente localizadas perto do equador, de que fazem parte países latinos e algumas culturas árabes. Na sociedade ocidental o bigode caiu em desuso nas últimas décadas, sendo substituído por uma crescente exigência de limpeza visual. Não é despropositado dizer que a sociedade global associa o bigode a alguns fenômenos sociais que não dependem da geografia. Motoqueiros e toureiros também são associados à estética bigode.

*Então era tarde demais. Tentei me desvencilhar daquelas duas (ou dois!) para sair dali, mas quando fiz isso uma mão foi direto até minha carteira, no bolso. Fui empurrado para o chão enquanto via os dois “travecos” que me roubaram correndo.

Infelizmente a colega que começou comigo este texto não compareceu mais às aulas. Sendo assim, pude colocar as minhas idéias levemente “doidas” nesse texto! A idéia original era de que ele fosse mais um texto apresentado com os recursos do hiperlink, mas como isso foi usado por muitos grupos, eu tentei “remar contra a maré” (e também por que eu não queria dar a possibilidade de interação com o texto!), fazendo um texto no modo “das antigas”.

*Por uma feliz coincidência do destino (daquelas que só acontecem em novelas Globais!) uma viatura da Brigada Militar passou naquele instante na rua, e que nos levou diretamente para a delegacia. E para tornar o fato mais cômico, e fechar a noite com chave de ouro, descobri que uma daquelas “deusas” foi meu colega de escola!

*Voltei pra casa mais desiludido do que quando do que quando fui encher a cara com os amigos de trabalho, mas rindo da situação que, afinal, terminou bem (pelo menos pra mim)!

*Depois desse episódio da minha vida boêmia, passei a ver que realmente as aparências enganam, principalmente depois de algumas doses! O intuito desse texto é (ou era, quando pensei em fazê-lo) de confundir, e quem sabe até irrittar pessoas com menos paciência! Se isso foi o resultado da leitura, não se preocupe, já era esperado (hehehehehee)!!


Até o Thurton Moore (Sonic Youth) lê (de canto!!) a nova "seção" dos Comentários Escritos enquanto toca guitarra!!!


24 de set. de 2006

Edição surpresa no aniversário dos integrantes dos comentários!!!

Na semana que passou tivemos, aqui em Gravataí, uma grande festa (com direito a festividades no parcão da cidade e fogos de artifício!!) em comemoração dos aniversários de Mano Eduardo Da Quebrada (quinta, 21/09) e Dom Rodryggu's (sexta, 22/09), membros do Comentários Escritos (marca registrada) e filhos ilustres da cidade-luz do Brasil, Gravataí (a terra onde quase nada pode acontecer!!)...

O comando da festa ficou por conta do grande astro da cidade (conhecido nacionalmente por sua participação nos programas "Ídolos" e "Fama", e a pouco tempo, no programa "Estrelas", da Angélica!!), sim, ele mesmo, Baba D'Luka!! Cantando seu grandes (2) sucessos, Baba animou as 34.563.809, 37 pessoas que compareceram ao parcão!!

Várias estrelas do cenário nacional (são tantas que não lembro dos nomes!!) compareceram às festividades! Os dois integrantes do blog que já foi definido como: "melhor blog do universo" (frase do E.T. de Varginha), "1ª coisa que leio quando acordo de manhã" (Bill Gates), e "a única fonte verdadeira de consciência e verdade absolutas" (Chico Xavier!!) receberam as chaves da cidade e também a notícia de suas nomeações à Academia Brasileira de Letras, por seus textos idôneos, belos, poéticos e eruditos (mazááá, hein?!! Não contavam com a nossa astúcia, não??)!!!

Depois da confraternização com a população gravataiense, houve uma festa Vip na casa de Dom Rodryggu's, com a presença de vááááááárias (EU DISSE VÁÁÁÁÁÁRIAS!!) supermodelos do mundo da moda, além de atrizes suecas, estrelas de superproduções do cinema "educativo"!!!

O assédio sobre os aniversariantes "rolou" durante toda a festa... Mano Eduardo teve de ser indelicado com Daniela Ciccarelli, que insistia em convidá-lo para passar uns dias nas praias espanholas... Olha só a "Dani" (apelido para íntimos, rapaz!!)
fazendo carinha de: vamo pra Espanha, Dudu??!

Mas como ninguém é de ferro (e o champagne e o vinho do porto são traiçoeiros!!) houveram muitas coisas entre as atrizes suecas e o pessoal dos comentários Escritos (marca registrada, porraaa!!)... Paparazzi's já ameaçam vender as imagens da badalada festa para sites de fofocas do mundo inteiro...
Karaokê na festa Vip, na casa de Dom Rodryggu's.

Parece que algumas imagens chegaram a Alexandre Frota, que pensa em convidar os mitos do blog internacional para estrelar o filme "Comentários Gozados" (marca AINDA não registrada, mas nem te fresqueia a copiar)!!

Fila para a festa Vip... sabe como é,
não da pra deixar entrar "chinelagem"...

Aqui fica o registro da maior festa que Gravataí já viu... E lembre-se:

"COMENTÁRIOS ESCRITOS: SÓ ENTENDE QUEM É FODÃO!!!"